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Disfunção sexual: um problema que as mulheres também têm!


Fotografia de uma mão branca colocando os dedos indicador e do meio em uma laranja
Cerca de 20 a 30% das mulheres possuem alguma disfunção sexual

Muitas mulheres possuem queixas nas relações sexuais que acreditam serem questões passageiras, de relacionamento com a parceria ou mesmo algum problema de libido sem cogitar que, na verdade, pode ser uma disfunção sexual. Não considerar esse diagnóstico é mais comum do que se imagina, afinal, ao falar de disfunções sexuais, o comum é pensar na falta de ereção do pênis, por exemplo. Mas as disfunções sexuais também afetam pessoas com vulva, sabia?

Para te ajudar a saber mais sobre o que é uma disfunção sexual e, quem sabe, buscar ajuda profissional, criamos este blogpost. Lembrando que este é um conteúdo apenas de caráter informativo e não substitui orientação profissional/médica, ok? Busque autoconhecimento e o melhor para você e o seu corpo!


O que é uma disfunção sexual?

As disfunções sexuais femininas consistem em desordens que alteram a excitação, o desejo, o orgasmo, ou que trazem dores durante a relação sexual. Essas disfunções têm alta prevalência e atingem cerca 67,9% das mulheres em todo o mundo, podendo variar de acordo com regiões e costumes. A Organização Mundial da Saúde considera as disfunções sexuais femininas um problema de saúde pública, isso porque elas afetam diretamente a vida social, psicológica, física, comportamental e a qualidade de vida como um todo das mulheres e seus parceiros ou parceiras.

Dado o alto número de mulheres no mundo vivendo com alguma disfunção sexual, precisamos, mais do que nunca, falar sobre isso. Já imaginou a quantidade de mulheres que sofrem ou não desfrutam do sexo como deveriam? Felizmente, a maioria dos casos de disfunção sexual feminina têm tratamento, e você pode voltar a ter uma vida sexual saudável e prazerosa.


O ciclo da resposta sexual

Para compreendermos o universo da sexualidade, precisamos entender o ciclo da resposta sexual, que é basicamente como funciona a nossa função sexual normal.


Gráfico sinalizando o Ciclo da resposta sexual. O começo, abaixo, com o desejo. Conforme o gráfico cresce, chega a exitação e, em seguida, o orgasmo. Por fim, o gráfico cai, onde chega a resolução
Ciclo da resposta sexual

Para termos uma função sexual satisfatória, precisamos passar por essas fases da imagem acima: desejo, excitação, orgasmo e resolução.

O desejo é caracterizado pela vontade de fazer sexo, podendo ser espontaneamente, por fantasias, sonhos e pensamentos sexuais, ou quando recebemos um estímulo da parceria. Depois disso, entramos na fase de excitação, que é quando começam as alterações físicas no nosso corpo, uma sensação agradável na vulva e na vagina que causa aumento dos órgãos genitais femininos devido ao aumento fluxo sanguíneo, nessa fase ocorre também a lubrificação.

Depois disso tudo, chegamos ao tão desejado orgasmo, que será o momento máximo de prazer, onde ocorrem diversas contrações dos músculos do assoalho pélvico. Por fim, chegamos a resolução, que será o momento em que tudo voltará ao normal. Contudo, se continuarmos sendo estimuladas, podemos entrar novamente nesse ciclo e ter múltiplos orgasmos. Não é incrível o poder que nós temos?

Gráfico sinalizando o Ciclo da resposta sexual. O começo, abaixo, com o desejo. Conforme o gráfico cresce, chega a exitação e, em seguida, o orgasmo. Dessa vez, o gráfico entra em ondas, sinalizando os orgasmos múltiplos. Por fim, o gráfico cai, onde chega a resolução
Resposta sexual

Quando alguma dessas fases não está funcionando adequadamente, temos as disfunções sexuais, que podem ser afetadas pelos mais diversos fatores, podendo ser físicos, emocionais, afetivos e, até mesmo, comportamentais.


Quais são as disfunções sexuais?

Agora que entendemos o ciclo da resposta sexual, fica muito mais fácil compreender quais são as disfunções sexuais existentes. Elas são classificadas em: transtorno do desejo/excitação (desejo sexual hipoativo, transtorno de excitação), transtorno do orgasmo (anorgasmia), dor na relação (dispareunia) e a impossibilidade de penetração (vaginismo). Vamos falar um pouco de cada uma delas:

  • Transtorno do desejo sexual hipoativo: é quando o desejo sexual está diminuído, aquela famosa “falta de libido”. É a disfunção sexual mais comum, acometendo em maior número mulheres mais velhas e que estão na menopausa, por conta de toda mudança hormonal. Em mulheres mais jovens, está associado a algum contexto específico (uma pandemia, por exemplo), alterações físicas, doenças crônicas, depressão, distúrbios ginecológicos e uso de certos medicamentos, como alguns antidepressivos e pílulas anticoncepcionais.

  • Transtorno da excitação: dificuldade ou incapacidade de completar a atividade sexual com lubrificação adequada, podendo trazer diversos desconfortos durante a prática sexual. Nesses casos, o lubrificante é utilizado para substituir a lubrificação natural.

  • Transtorno do orgasmo: é a dificuldade de alcançar o orgasmo. Cerca de 20 a 30% das mulheres relatam incapacidade de atingir o tão sonhado orgasmo. Essa dificuldade pode estar relacionada a uma experiência sexual passada que não foi prazerosa, questões de excitação, angústias, receios e fatores emocionais. Todas as mulheres têm potencial para atingir o orgasmo, mas algumas precisam conhecer mais os seus desejos e seu corpo para então descobrir como alcançá-lo.

  • Dispareunia: é a dor durante a relação sexual quando não causada exclusivamente pela falta de lubrificação. Sentir dores no sexo não deve nunca ser normalizado, ao contrário.

  • Vaginismo: se caracteriza por uma dificuldade em conseguir a entrada de um pênis, objeto ou dedo no canal vaginal, levando a dor e desconforto. As mulheres relatam, muitas vezes, a sensação de uma parede na entrada da vagina, ou que a vagina é muito apertada. Isso ocorre, pois acontece uma contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico. Dificultando também a realização de exames ginecológicos.


Acho que tenho alguma disfunção sexual. E agora?

Se após ler as disfunções descritas acima surgiu a suspeita de ter alguma disfunção sexual, não se assuste. Saiba que existe tratamento para disfunções sexuais, mas para que isso ocorra você precisa buscar ajuda com um profissional especializado, ok?

Como já mencionamos, a sexualidade é resultado da combinação de questões físicas, emocionais e comportamentais. Por isso, o tratamento vai variar caso a caso, podendo ser, inclusive, um tratamento multidisciplinar, contando com ginecologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicóloga, sexóloga etc. Sempre opte por profissionais especialistas em sexualidade, pois irão direcionar o tratamento da melhor forma possível.


Alguns fatores são muito importantes para ajudar a desvendar e experimentar o universo da sexualidade, um deles é explorar seu próprio corpo e sua área genital para entender melhor as regiões associadas ao prazer. Os órgãos genitais possuem terminações nervosas, ou seja, quando tocadas, geram uma sensação gostosa e nos proporcionam prazer. Experimente se tocar, se explorar, descobrir o que você gosta ou o que você não acha tão interessante assim.

O sexo é uma importante função biológica e biopsicológica, o prazer é direito de todos e é importante para o bem-estar emocional e físico. Por isso, se você tem alguma queixa envolvendo sexo, não se sinta sozinha e busque ajuda! Temos que parar de reprimir a nossa sexualidade, parar de nos sentir culpadas por vivenciar algo fisiológico e natural do nosso corpo. Experimente, sinta, viva plenamente o seu prazer, afinal, ninguém mais irá fazer isso por você.


Fontes:


Crowley T, Richardson D, Goldmeier D; Bashh Special Interest Group for Sexual Dysfunction. Recommendations for the management of vaginismus: BASHH Special Interest Group for Sexual Dysfunction. Int J STD AIDS. 2006;17(1):14-18. doi:10.1258/095646206775220586


Weinberger JM, Houman J, Caron AT, Anger J. Female Sexual Dysfunction: A Systematic Review of Outcomes Across Various Treatment Modalities. Sex Med Rev. 2019;7(2):223-250. doi:10.1016/j.sxmr.2017.12.004


Prendergast SA. Pelvic Floor Physical Therapy for Vulvodynia: A Clinician's Guide. Obstet Gynecol Clin North Am. 2017;44(3):509-522. doi:10.1016/j.ogc.2017.05.006


Wolpe, Raquel Eleine; Toriy, Ariana Machado; Silva, Fabiana Pinheiro; Zomkowski, Kamilla; Sperandio, Fabiana Flores. Physical therapy in sexually dysfunctional women: a systematic review. Acta fisiátrica;22(2), jun. 2015.


Lúcia Alves da Silva Lara, Sandra Cristina Poerner Scalco, Júlia Kefalás Troncon, Gerson Pereira Lopes. A Model for the Management of Female Sexual Dysfunctions. Rev Bras Ginecol Obstet 2017; 39(04): 184-194. DOI: 10.1055/s-0037-1601435


 

Sobre a autora

Giovana Fregonesi

Fisioterapeuta - FMABC. Pós graduada em Fisioterapia Pélvica - Faculdade de medicina da USP - HCFMUSP

Contato: +55 11 99733-3257

Saiba mais sobre o trabalho da Gi em seu Instagram @giovana.fisiopelvica


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